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Andrew Durães

Fisioterapeuta no Sporting Clube de Portugal

Licenciatura em Fisioterapia, 2014

O que o levou a escolher a ESS/IPS para a sua formação superior?

Escolhi a ESS/IPS porque procurava uma formação sólida, exigente e com uma forte ligação à prática clínica. Desde cedo percebi que queria trabalhar numa área que me permitisse ajudar pessoas de forma concreta, com impacto real na sua funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. A Fisioterapia sempre me pareceu uma profissão muito completa, pela ligação entre ciência, movimento, saúde e relação humana.
A ESS/IPS destacou-se por transmitir essa ideia de uma formação próxima da realidade profissional, com exigência académica, contacto com diferentes contextos e valorização do raciocínio clínico. Para mim, isso foi determinante, porque não queria apenas aprender técnicas; queria aprender a pensar como fisioterapeuta contemporâneo.
A escola em si, em termos de prestígio, sempre foi-me apresentada como sendo a melhor escolha, a nível de ensino superior público, pelo corpo docente que apresentava na altura, e cujos professores, alguns, ainda mantém-se.

Que memórias guarda dos seus tempos na Escola?

Guardo memórias muito positivas, sobretudo da exigência, da proximidade entre colegas e docentes, e da forma como fomos sendo desafiados a crescer. A ESS/IPS foi um espaço onde comecei a construir a minha identidade profissional, mas também onde percebi a responsabilidade que existe em trabalhar com pessoas. Não só entre colegas do mesmo curso, mas entre áreas de intervenção como a Enfermagem e a Terapia da Fala.
Recordo especialmente os momentos de aprendizagem prática, as discussões de casos, os estágios e todas as situações em que éramos obrigados a sair da resposta fácil e a justificar as nossas decisões. Essas experiências marcaram-me porque me fizeram perceber que a Fisioterapia exige conhecimento, mas também reflexão, comunicação e capacidade de adaptação. Foi através da ESS/IPS que eu pude dar os primeiros passos no mundo do Desporto.

De que forma a formação recebida na ESS/IPS o preparou para os desafios da vida profissional?

A formação na ESS/IPS preparou-me sobretudo através do desenvolvimento do raciocínio clínico, da autonomia e da capacidade de adaptação. A vida profissional raramente apresenta casos simples ou respostas perfeitas, e a Escola ajudou-me a lidar com essa complexidade.
Mais do que decorar procedimentos, aprendi a avaliar, interpretar, questionar e tomar decisões fundamentadas. Essa base foi essencial quando comecei a trabalhar em contextos de maior exigência, nomeadamente no desporto de alto rendimento, onde cada decisão pode ter impacto na saúde, na disponibilidade e no rendimento dos atletas.
A ESS/IPS deu-me uma base técnico-científica sólida, mas também uma consciência clara da dimensão humana da profissão. Essa combinação continua a ser fundamental no meu percurso.

Que funções desempenha atualmente e em que instituição ou organização trabalha?

Atualmente desempenho funções como fisioterapeuta no Sporting Clube de Portugal, num contexto de alto rendimento desportivo de modalidades, no Centro de Optimização Desportiva. O meu trabalho envolve a diminuição do risco de lesões, avaliação, tratamento e reabilitação de atletas, bem como o acompanhamento do processo de retorno à prática desportiva.
A intervenção neste contexto exige uma articulação constante com atletas, treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e massagistas. É um trabalho que combina raciocínio clínico, gestão de carga, comunicação, tomada de decisão e uma grande capacidade de adaptação às exigências competitivas.

Como tem evoluído o seu percurso profissional desde que terminou a formação na ESS/IPS?

Desde que terminei a formação na ESS/IPS, o meu percurso tem evoluído de uma prática inicial mais generalista para uma intervenção cada vez mais especializada no desporto, na reabilitação de atletas e no alto rendimento.
Ao longo dos anos fui aprofundando áreas como a diminuição do risco de lesões, o retorno à prática desportiva, a avaliação funcional, a força e condição física, e a integração entre Fisioterapia e performance. Essa evolução surgiu de forma progressiva, através da experiência prática, da formação contínua e do contacto com diferentes modalidades, atletas e contextos competitivos.
Hoje sinto que o meu percurso representa uma combinação entre a base clínica que trouxe da ESS/IPS e a especialização que fui construindo no terreno.

Como foi o seu primeiro contacto com o mercado de trabalho e que desafios enfrentou nessa fase inicial?

O primeiro contacto com o mercado de trabalho foi “rápido”, como acredito que não acontece com muitos profissionais de saúde. Comecei a trabalhar em clínica convencionada, onde obtive a primeira conexão profissional ao mundo do Desporto.
Existe uma diferença grande entre estar em contexto académico, onde tudo é mais estruturado, e entrar no mercado de trabalho, onde temos de lidar com pessoas reais, expectativas reais, limitações de tempo, pressão e incerteza.
Nessa fase inicial, um dos maiores desafios foi ganhar confiança sem perder humildade. Perceber que a formação nos dá uma base importante, mas que a prática diária exige constante aprendizagem. Também foi importante desenvolver competências de comunicação, gestão emocional e tomada de decisão.
A ESS/IPS ajudou-me nessa transição porque me deu ferramentas para pensar, adaptar-me e procurar respostas fundamentadas, mesmo quando os contextos eram mais complexos.

Que conquistas profissionais considera mais importantes até ao momento?

Uma das conquistas profissionais mais importantes até ao momento foi integrar a comitiva do Sporting Clube de Portugal que venceu a primeira UEFA Futsal Champions League em 2019. Foi um momento muito marcante, não apenas pelo título em si, mas por tudo o que representa: exigência diária, trabalho multidisciplinar, confiança entre profissionais e capacidade de contribuir para o rendimento e disponibilidade dos atletas ao mais alto nível.
Ser fisioterapeuta numa equipa campeã europeia é motivo de grande orgulho, mas também de responsabilidade. Para mim, essa conquista representa muitos anos de trabalho, aprendizagem, compromisso e respeito pela profissão. Estive ligado, exclusivamente, ao futsal do Sporting CP entre 2015 e 2020. Depois, e até agora, em contexto de clínica COD, mantive a participação em várias fases finais de competições com o futsal, tendo aberto a minha intervenção às restantes modalidades, como o atletismo, andebol, hóquei em patins, voleibol, basquetebol, ginástica, entre outras, tanto em contexto de competição, como de reabilitação de atletas.
Além dos títulos, considero igualmente importantes os processos individuais de recuperação dos atletas. Ver um atleta regressar à competição com confiança, depois de uma lesão difícil, é uma das partes mais significativas da profissão.

Que valores transmitidos pela Escola tiveram influência no seu percurso profissional?

Os valores que mais levo da ESS/IPS são a responsabilidade, o pensamento crítico, a autonomia, a ética profissional e a valorização da pessoa. Estes valores continuam muito presentes na minha prática diária.
No contexto do alto rendimento, existe muitas vezes pressão para acelerar processos, simplificar decisões ou olhar apenas para o resultado competitivo. A formação que tive ajudou-me a manter uma visão equilibrada: o atleta é um profissional, mas continua a ser uma pessoa. A decisão clínica tem de respeitar o rendimento, mas também a saúde, a segurança e o futuro desse atleta.
A ESS/IPS ajudou-me a perceber que ser fisioterapeuta implica competência técnica, mas também responsabilidade humana.

A relação com docentes, colegas ou orientadores teve impacto no seu percurso posterior?

Sim, teve um impacto importante. A relação com docentes, colegas e orientadores ajudou-me a desenvolver espírito crítico, capacidade de comunicação e sentido de responsabilidade. Muitas vezes, são essas relações que nos obrigam a questionar, a justificar melhor as nossas ideias e a perceber diferentes formas de olhar para o mesmo problema. Levo comigo todos os professores com quem aprendi: Prof. Teresa Mimoso, Prof. Eurico Gonçalves, Prof. Carla Pereira, Prof. Eduardo Cruz… mas os professores mais marcantes, na minha memória, serão sempre o Prof. Paulo Abreu, Prof. Marco Jardim e a Prof. Rita Fernandes.
A convivência com colegas também foi importante porque a Fisioterapia, apesar de muitas vezes parecer uma profissão individual, depende muito da colaboração. Hoje, no contexto desportivo, essa capacidade de trabalhar em equipa é essencial. Nenhum profissional resolve tudo sozinho, por muito que às vezes o ego humano tente vender essa fantasia.

Olhando para trás, que aspetos da formação na ESS/IPS considera terem sido mais diferenciadores?

O aspeto mais diferenciador foi a forma como a formação promoveu o raciocínio clínico e a capacidade de adaptação. A ESS/IPS não me preparou apenas para aplicar técnicas, mas para interpretar situações, tomar decisões e justificar a minha intervenção.
Também considero diferenciadora a ligação entre ciência, prática e dimensão humana. A formação permitiu-me perceber que a Fisioterapia não é apenas tratamento de lesões; é uma profissão centrada na função, no movimento, na autonomia e na qualidade de vida.
Essa base foi muito importante para o meu percurso posterior, especialmente no desporto, onde o fisioterapeuta tem de integrar conhecimento clínico, comunicação, gestão de risco e compreensão das exigências específicas de cada modalidade.

Que significado tem para si ser diplomado pela ESS/IPS?

Ser diplomado pela ESS/IPS tem um significado muito especial, porque representa o ponto de partida da minha identidade profissional. Foi na Escola que comecei a construir a forma como penso, comunico e intervenho enquanto fisioterapeuta. A forma como o IPS, com todas as suas escolas mas especificamente a ESS, me moldaram para eu ser quem sou é indescritível.
Também significa pertencer a uma instituição que valoriza a competência, a responsabilidade e a ligação à realidade profissional. A ESS/IPS deu-me uma base que me permitiu crescer, especializar-me e chegar a contextos de elevada exigência, sem perder a essência da profissão.
Para mim, ser diplomado pela ESS/IPS é carregar essa base com orgulho e responsabilidade.

Numa frase, como descreveria a importância da ESS/IPS no seu percurso?

A ESS/IPS foi o ponto de partida para uma carreira construída entre ciência, humanidade e alto rendimento.

Como vê o papel dos profissionais de saúde na sociedade atual?

Vejo os profissionais de saúde como elementos fundamentais numa sociedade que precisa cada vez mais de conhecimento, prevenção, literacia e humanidade. O papel dos profissionais de saúde vai muito além do tratamento: passa por educar, prevenir, orientar, combater desinformação e ajudar as pessoas a tomar melhores decisões sobre a sua saúde.
Na Fisioterapia, esse papel é particularmente importante porque trabalhamos diretamente com movimento, dor, função, autonomia e qualidade de vida. Temos impacto não só na recuperação de lesões, mas também na forma como as pessoas vivem, trabalham, praticam desporto e se relacionam com o próprio corpo.
Na sociedade atual, os profissionais de saúde devem ser tecnicamente competentes, mas também bons comunicadores, éticos e capazes de olhar para a pessoa de forma global.

Que atributos pessoais e profissionais considera essenciais para uma carreira sólida na área da saúde?

Considero essenciais a competência técnica, o pensamento crítico, a ética, a comunicação, a empatia e a capacidade de trabalhar em equipa. Uma carreira sólida na saúde exige estudo e atualização constante, mas também exige humildade para reconhecer que estamos sempre a aprender.
Também considero fundamental a resiliência. Trabalhar em saúde significa lidar com pressão, incerteza, sofrimento, expectativas e, muitas vezes, frustração. É preciso ter capacidade de continuar a evoluir sem perder humanidade.
Na minha opinião, um bom profissional de saúde deve procurar ser competente sem ser arrogante, confiante sem ser fechado, e ambicioso sem esquecer que o centro da profissão continua a ser a pessoa que temos à nossa frente.

 
NIC ESS/IPS, junho, 2026
Conteúdo atualizado em 09/06/2026 14:18
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