
Daniel Moedas
Fisioterapeuta Coordenador na Federação Portuguesa de Natação
Licenciatura em Fisioterapia, 2017
O que o levou a escolher a ESS/IPS para a sua formação superior?
Escolhi a ESS/IPS após fazer uma pesquisa própria sobre as várias opções disponíveis para estudar Fisioterapia. Um dos fatores que mais valorizei foi a taxa de empregabilidade dos licenciados, e os dados que encontrei mostravam que a ESS/IPS se destacava nesse aspeto.
Além disso, procurei conhecer a perspetiva de quem já tinha passado pela instituição. O feedback de ex-alunos foi muito positivo, sobretudo em relação à qualidade da formação, à componente prática do curso e à preparação para a entrada no mercado de trabalho.
No final, senti que a ESS/IPS reunia as condições que procurava para a minha formação, não apenas pelos indicadores objetivos, mas também pela confiança transmitida por quem já tinha vivido essa experiência.
Que memórias guarda dos seus tempos na Escola?
Guardo memórias muito positivas do meu percurso na ESS/IPS. Foi um período marcante, não apenas pela formação académica, mas também pelo crescimento pessoal e profissional que me proporcionou.
Foi durante esses anos que construí algumas das amizades mais importantes da minha vida, muitas das quais se mantêm até hoje. Recordo também com muito apreço as experiências vividas ao longo dos quatro anos, tanto dentro da Escola como fora dela, em Setúbal, que acabaram por enriquecer a minha vivência académica de uma forma muito especial.
Além disso, a ligação que desenvolvi com a cidade foi algo que não antecipava. Setúbal tornou-se mais do que o local onde estudei; tornou-se um lugar onde me senti verdadeiramente integrado e em casa. Essa sensação de pertença, aliada ao desenvolvimento das minhas competências enquanto futuro fisioterapeuta e enquanto pessoa, é, sem dúvida, uma das recordações mais valiosas que levo dessa fase da minha vida.
De que forma a formação recebida na ESS/IPS o preparou para os desafios da vida profissional?
A formação na ESS/IPS preparou-me muito bem para os desafios da vida profissional, sobretudo pelo equilíbrio entre a componente teórica e a componente prática. Os vários períodos de educação clínica permitiram-me contactar com diferentes contextos reais de intervenção, o que tornou a transição para o mercado de trabalho bastante mais natural e segura.
Destaco também a qualidade e a disponibilidade dos docentes. A proximidade entre estudantes, professores e a própria estrutura da Escola fez com que me sentisse sempre integrado no processo de aprendizagem e acompanhado ao longo do percurso.
Outro aspeto importante foi o desenvolvimento do raciocínio clínico e da capacidade de tomar decisões fundamentadas. Mais do que adquirir conhecimentos técnicos, fui incentivado a analisar situações, a procurar evidência científica e a construir soluções para os desafios que surgiam na prática.
A formação permitiu-me ainda desenvolver competências de comunicação e de trabalho em equipa, essenciais numa profissão em que a relação com o utente e a articulação com outros profissionais de saúde são determinantes.
Por fim, considero que a ESS/IPS me transmitiu uma forte cultura de responsabilidade, autonomia e aprendizagem contínua, características que continuam a orientar a minha prática profissional atualmente.

Que funções desempenha atualmente e em que instituição/organização trabalha?
Atualmente desempenho funções em diferentes organizações ligadas à Fisioterapia, ao desporto de alto rendimento e ao desenvolvimento profissional.
Sou Fisioterapeuta Coordenador na Federação Portuguesa de Natação desde 2017, sendo responsável pela coordenação da área da Fisioterapia junto das seleções nacionais. O meu trabalho envolve o acompanhamento de atletas de alto rendimento, a implementação de estratégias de prevenção e gestão de lesões, a articulação com equipas multidisciplinares e o apoio à otimização do desempenho desportivo em contextos nacionais e internacionais.
Integrei a Missão Olímpica Portuguesa aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e colaboro com o Comité Olímpico de Portugal desde 2022, participando em missões desportivas internacionais, como os Jogos do Mediterrâneo, e noutras iniciativas relacionadas com a preparação e acompanhamento de atletas de elite.
Desde 2025, integro o Gabinete de Apoio ao Membro (GAM) da Ordem dos Fisioterapeutas, onde colaboro no desenvolvimento de respostas e recursos de apoio aos fisioterapeutas, contribuindo para o esclarecimento de questões técnico-profissionais, regulamentares e de exercício da profissão. Esta função permite-me manter um contacto próximo com os desafios e necessidades da comunidade profissional.
Paralelamente, sou Expert da World Aquatics desde 2025, colaborando na conceção e implementação de programas de formação dirigidos à comunidade científica e técnica das modalidades aquáticas. Participo ainda no desenvolvimento de conteúdos teóricos e práticos e na implementação de projetos nos Training Centres da organização, localizados em Budapeste, Antibes e Bahrain, contribuindo para a disseminação de boas práticas e para o desenvolvimento internacional da área.
Como tem evoluído o seu percurso profissional desde que terminou a formação na ESS/IPS?
O meu percurso profissional tem sido marcado por uma evolução gradual e pela procura constante de novos desafios e oportunidades de crescimento. Após concluir a formação na ESS/IPS, iniciei a minha atividade profissional na área da Fisioterapia, mas rapidamente comecei a direcionar o meu percurso para o contexto do desporto de alto rendimento, uma área pela qual sempre tive um interesse particular.
Ao longo dos anos, fui assumindo responsabilidades crescentes, nomeadamente na Federação Portuguesa de Natação, onde atualmente desempenho funções de Fisioterapeuta Coordenador. Esta experiência permitiu-me trabalhar com atletas de elevado nível competitivo e integrar equipas multidisciplinares em contextos nacionais e internacionais.
Paralelamente, fui expandindo a minha intervenção para outras dimensões da profissão, através da colaboração com o Comité Olímpico de Portugal em missões desportivas internacionais e, mais recentemente, com a Ordem dos Fisioterapeutas, contribuindo para o apoio e desenvolvimento da profissão em Portugal.
A nomeação como Expert da World Aquatics representou também um passo importante no meu percurso, permitindo-me participar em projetos internacionais de formação, desenvolvimento científico e partilha de conhecimento.
Olhando para trás, considero que o meu percurso tem sido caracterizado por uma combinação entre prática clínica, intervenção no alto rendimento, participação institucional e envolvimento internacional, sempre com o objetivo de continuar a aprender, a contribuir para a profissão e a criar impacto nos contextos em que estou inserido.

Como foi o seu primeiro contacto com o mercado de trabalho e que desafios enfrentou nessa fase inicial?
O meu primeiro contacto com o mercado de trabalho foi inicialmente desafiante. Apesar de existir alguma oferta, a realidade era marcada por condições nem sempre muito atrativas, nomeadamente ao nível das remunerações, o que tornava a fase de entrada na profissão mais exigente.
Com o tempo, o contexto foi evoluindo e começaram a surgir melhores oportunidades, acompanhando também o crescimento e a valorização da área. Essa evolução permitiu-me consolidar a minha experiência e encontrar um percurso mais alinhado com os meus objetivos profissionais.
Que conquistas profissionais considera mais importantes até ao momento?
É difícil destacar apenas uma conquista, porque tenho tido a oportunidade de participar em projetos muito distintos e todos contribuíram para o meu crescimento profissional. Ainda assim, considero que a integração e posterior coordenação da área da Fisioterapia na Federação Portuguesa de Natação foi um marco importante, pela responsabilidade associada ao acompanhamento de atletas de alto rendimento e pela possibilidade de contribuir para o seu desempenho em competições internacionais. Os melhores resultados da natação portuguesa surgiram durante a minha coordenação, tendo atingindo os primeiros Campeões da Europa, do Mundo, etc.
A participação na Missão Olímpica Portuguesa aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 representa também uma das experiências mais marcantes do meu percurso. Estar presente no maior palco do desporto mundial e integrar uma equipa multidisciplinar ao serviço dos atletas portugueses foi simultaneamente um privilégio e o reconhecimento de vários anos de trabalho.
A nomeação como Expert da World Aquatics permitiu-me expandir a minha intervenção para uma dimensão internacional, participando em projetos de formação, desenvolvimento científico e partilha de conhecimento com profissionais de todo o mundo.
Por fim, considero uma conquista muito relevante poder contribuir para o desenvolvimento da própria profissão através do trabalho desenvolvido na Ordem dos Fisioterapeutas.
Mais do que cargos ou títulos, vejo estas experiências como oportunidades de aprendizagem, de serviço e de crescimento contínuo, que me têm permitido evoluir enquanto fisioterapeuta e enquanto pessoa.

Que valores transmitidos pela Escola tiverem influência no seu percurso profissional?
A ESS/IPS transmitiu-me vários valores que continuam presentes na minha prática profissional.
Destacaria, em primeiro lugar, o sentido de responsabilidade e compromisso para com as pessoas que acompanhamos, algo fundamental numa profissão centrada no cuidado e na promoção da saúde.
Outro valor importante foi a procura constante pela excelência e pela aprendizagem contínua. A Escola incentivou-nos a desenvolver um espírito crítico e a fundamentar as nossas decisões na melhor evidência disponível, uma postura que mantenho até hoje e que considero essencial para acompanhar a evolução da profissão.
A proximidade entre docentes e estudantes contribuiu também para reforçar valores como a colaboração, a entreajuda e o trabalho em equipa. Ao longo do meu percurso profissional, tenho percebido que os melhores resultados surgem quando existe uma verdadeira articulação entre diferentes profissionais e áreas de conhecimento.
Por fim, a ESS/IPS ajudou-me a compreender a importância de conciliar competência técnica com competências humanas. A capacidade de comunicar, de criar relações de confiança e de compreender as necessidades de cada pessoa são aspetos que considero tão importantes quanto o conhecimento científico e que continuam a orientar a minha forma de estar enquanto fisioterapeuta.
A relação com docentes, colegas ou orientadores teve impacto no seu percurso posterior?
Sim, teve um impacto muito relevante no meu percurso. A proximidade com docentes e orientadores foi essencial para desenvolver o meu raciocínio clínico, espírito crítico e capacidade de decisão, através de um acompanhamento exigente, mas muito construtivo.
Acrescento ainda que essa relação não terminou com a licenciatura. Em vários casos, mantive o contacto com alguns docentes e orientadores, o que me permitiu continuar a trocar conhecimento e, em determinados contextos, até trabalhar em conjunto com eles em situações reais de prática profissional. Essa continuidade reforçou a aprendizagem e contribuiu para consolidar a minha evolução enquanto fisioterapeuta.
Com os colegas, aprendi desde cedo a importância do trabalho em equipa e da partilha de conhecimento, algo que se revelou fundamental na minha prática profissional. Existia uma cultura muito forte de entreajuda, onde tínhamos a oportunidade de nos sentar e discutir experiências, casos e diferentes pontos de vista, o que enriquecia bastante a forma como encarávamos a aprendizagem e a resolução de problemas.
As experiências de estágio, com a orientação de profissionais experientes, foram particularmente marcantes na transição para o mercado de trabalho, ajudando-me a ganhar autonomia e segurança na tomada de decisão clínica.
Olhando para trás, que aspetos da formação na ESS/IPS considera terem sido mais diferenciadores?
Olhando para trás, o que mais me marcou na ESS/IPS foi a forma como nos obrigava a pensar e a agir como profissionais desde cedo, e não apenas como estudantes. Havia uma forte cultura de exigência, mas também de autonomia progressiva, o que acabou por fazer diferença na forma como encaro a prática clínica hoje.
Outro aspeto diferenciador foi a ligação muito direta entre o que aprendíamos e o que depois víamos em contexto real. Os estágios não eram apenas uma componente do curso, mas uma extensão natural da aprendizagem, o que ajudava a consolidar rapidamente conhecimentos e competências.
Destacaria ainda o ambiente de proximidade e discussão constante entre estudantes e docentes, que promovia uma aprendizagem mais crítica e menos passiva, e que contribuiu bastante para a minha forma de raciocinar e tomar decisões no dia a dia profissional.
Que significado tem para si ser diplomado/a pela ESS/IPS?
Ser diplomado pela ESS/IPS tem para mim um significado muito especial, que vai além da formação académica. Representa uma base sólida que moldou a minha forma de pensar, de agir e de encarar a profissão com responsabilidade e exigência.
É também um símbolo de identidade profissional. A ESS/IPS foi onde cresci enquanto fisioterapeuta e enquanto pessoa, e onde construí os fundamentos que ainda hoje sustentam a minha prática clínica e o meu percurso profissional.
Ao mesmo tempo, é um motivo de orgulho e de sentido de pertença. Levo comigo não apenas o conhecimento adquirido, mas também os valores, as experiências e as relações que aí construí, e que continuam a influenciar a forma como trabalho e me relaciono com os outros.
Por isso, ser diplomado da ESS/IPS significa para mim reconhecimento, responsabilidade e continuidade.
Numa frase, como descreveria a importância da ESS/IPS no seu percurso?
A ESS/IPS foi a base que moldou a minha forma de pensar e exercer a Fisioterapia, dando-me os alicerces científicos, clínicos e humanos que sustentam todo o meu percurso profissional.
Como vê o papel dos profissionais de saúde na sociedade atual?
Na sociedade atual, os profissionais de saúde desempenham um papel cada vez mais central, não apenas no tratamento da doença, reabilitação, gestão da lesão aguda, mas sobretudo na promoção da saúde, na prevenção e na educação das populações. Vivemos num contexto em que a informação é abundante, mas nem sempre clara, o que torna ainda mais importante a capacidade dos profissionais de orientar, esclarecer e promover decisões informadas.
Para além da componente técnica, existe também uma responsabilidade crescente ao nível humano e social. Algo que a maturidade profissional me proporcionou foi a consciencialização do fisioterapeuta (ou profissional de saúde) como ponto de referência em momentos de vulnerabilidade, pelo que a empatia, a comunicação e a capacidade de criar confiança são tão importantes como o conhecimento clínico.
Ao mesmo tempo, o trabalho em saúde é cada vez mais multidisciplinar e integrado. A complexidade dos casos exige colaboração entre diferentes áreas, com foco no utente e não apenas na patologia/limitação, o que reforça a importância da articulação entre profissionais.
Por fim, considero que os profissionais de saúde têm também um papel relevante na evolução do próprio sistema, contribuindo para a melhoria contínua das práticas, para a investigação e para a inovação, sempre com o objetivo de aumentar a qualidade dos cuidados prestados.
Que atributos pessoais e profissionais considera essenciais para uma carreira sólida na área da saúde?
Considero que uma carreira sólida na área da saúde assenta sobretudo no equilíbrio entre competência técnica e qualidades pessoais. Do ponto de vista profissional, é essencial ter conhecimento clínico atualizado, pensamento crítico e uma atitude de aprendizagem contínua.
Ao nível pessoal, destacaria a responsabilidade ética, a empatia e a capacidade de comunicação, fundamentais para criar confiança e garantir uma intervenção eficaz. Acrescentaria ainda a resiliência e a capacidade de trabalhar em equipa, que são determinantes para lidar com a exigência e complexidade do contexto da saúde.

NIC ESS/IPS, junho, 2026
